Qual a importância do CPC 26?

DEMONSTRA��O DO RESULTADO ABRANGENTE

Reinaldo Luiz Lunelli*

O Financial Accounting Standards Board (FASB) estabeleceu, em junho de 1997, os padr�es de relat�rio e divulga��o dos resultados abrangentes e seus componentes como um dos itens que integram o conjunto de demonstra��es financeiras. O conceito de resultados abrangentes (comprehensive income) foi introduzido pela publica��o do FASB Concepts n� 3 � Elements of Financial Statements of Business Enterprises.

No entanto este conceito passou a ser discutido no Brasil somente em setembro de 2009, quando o CPC � Comit� de Pronunciamento Cont�bil aprovou o Pronunciamento T�cnico n�  26, que regulamenta dentre outras demonstra��es, a Demonstra��o do Resultado Abrangente.

De acordo com a Resolu��o CFC n� 1.185/09 e o CPC 26 a demonstra��o do resultado abrangente � obrigat�ria, mesmo n�o sendo prevista na Lei n� 6.404/76.

O normativo internacional define o resultado abrangente como �uma altera��o no patrim�nio l�quido de uma sociedade durante um per�odo, decorrente de transa��es e outros eventos e circunst�ncias n�o originadas dos s�cios. Isso inclui todas as mudan�as no patrim�nio durante o per�odo, exceto aquelas resultantes de investimentos dos s�cios e distribui��es aos s�cios�.

A demonstra��o de resultados abrangentes � uma importante ferramenta de an�lise gerencial, pois, respeitando o princ�pio de compet�ncia de exerc�cios, atualiza o capital pr�prio dos s�cios, atrav�s do registro no patrim�nio l�quido (e n�o no resultado) das receitas e despesas incorridas, por�m de realiza��o financeira �incerta�, uma vez que decorrem de investimentos de longo prazo, sem data prevista de resgate ou outra forma de aliena��o.

Na pr�tica o resultado abrangente visa apresentar os ajustes efetuados no Patrim�nio L�quido como se fosse um lucro da empresa, por exemplo, a conta ajuste da avalia��o patrimonial, registra as modifica��es de ativos e passivos a valor justo, que pelo princ�pio da compet�ncia n�o entram na DRE, no entanto, no lucro abrangente estas varia��es ser�o computadas, a fim de apresentar o lucro o mais pr�ximo da realidade econ�mica da empresa. 

O CPC 26, aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade estabelece que o lucro abrangente seja calculado a partir do lucro l�quido apurado na DRE, assim a demonstra��o do resultado abrangente deve, no m�nimo, incluir as seguintes rubricas:

  1. Resultado l�quido do per�odo;

  2. Cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natureza;

  3. Parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio do m�todo de equival�ncia patrimonial; e

  4. Resultado abrangente do per�odo.

Segundo o pronunciamento do CPC a apresenta��o do resultado abrangente deve ser feita separada da DRE, No entanto, considerando que no Brasil, a demonstra��o das muta��es do patrim�nio l�quido � obrigat�ria para as companhias abertas, existe ainda, a possibilidade da apresenta��o da demonstra��o do resultado abrangente aparecer como parte da DMPL.

A pr�pria regulamenta��o emitida pelo CPC, autoriza tal publica��o quando diz: "A demonstra��o do resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo pr�prio ou dentro das muta��es do patrim�nio l�quido"

Entretanto, a entidade deve divulgar o montante do efeito tribut�rio relativo a cada componente dos outros resultados abrangentes, incluindo os ajustes de reclassifica��o na demonstra��o do resultado abrangente ou nas notas explicativas.

Assim, os componentes dos outros resultados abrangentes podem ser apresentados:

  • L�quidos dos seus respectivos efeitos tribut�rios; ou

  • Antes dos seus respectivos efeitos tribut�rios, sendo apresentado em montante �nico o efeito tribut�rio total relativo a esses componentes.

A entidade deve divulgar em notas explicativas os ajustes de reclassifica��o relativos a componentes dos outros resultados abrangentes.

* Reinaldo Luiz Lunelli � contabilista, auditor, consultor de empresas, professor universit�rio, autor de diversas publica��es de natureza cont�bil e tribut�ria. 

Veja tamb�m, no Guia Cont�bil Online:

DEMONSTRA��O DO RESULTADO ABRANGENTE (DRA) - CARACTER�STICAS E MODELO

DEMONSTRA��O DAS MUTA��ES DO PATRIM�NIO L�QUIDO � DMPL

DEMONSTRA��O DOS LUCROS OU PREJU�ZOS ACUMULADOS � DLPA

DEMONSTRA��O DOS FLUXOS DE CAIXA � DFC

DEMONSTRA��O DO RESULTADO DO EXERC�CIO � DRE

DEMONSTRA��O DO VALOR ADICIONADO � DVA


Origem

O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi idealizado a partir da união de esforços e comunhão de objetivos das seguintes entidades:

  • Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca);
  • Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais do Brasil (Apimec Brasil);
  • B3 S/A - Brasil, Bolsa, Balcão;
  • Conselho Federal de Contabilidade (CFC);
  • Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon);
  • Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi);
  • Entidades representativas de investidores do mercado de capitais.

Em função das necessidades de:

  • convergência internacional das normas contábeis (redução de custo de elaboração de relatórios contábeis, redução de riscos e custo nas análises e decisões, redução de custo de capital);
  • centralização na emissão de normas dessa natureza (no Brasil, diversas entidades o fazem);
  • representação e processo democráticos na produção dessas informações (produtores da informação contábil, auditor, usuário, intermediário, academia, governo).

Criação e Objetivo

Criado pela Resolução CFC nº 1.055/05, o CPC tem como objetivo "o estudo, o preparo e a emissão de documentos técnicos sobre procedimentos de Contabilidade e a divulgação de informações dessa natureza, para permitir a emissão de normas pela entidade reguladora brasileira, visando à centralização e uniformização do seu processo de produção, levando sempre em conta a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões internacionais".

Características Básicas

  • O CPC é totalmente autônomo das entidades representadas, deliberando por 2/3 de seus membros;
  • O Conselho Federal de Contabilidade fornece a estrutura necessária;
  • As sete entidades compõem o CPC, mas outras poderão vir a ser convidadas futuramente;
  • Os membros do CPC, dois por entidade, na maioria Contadores, não auferem remuneração.

Além dos 14 membros atuais, serão sempre convidados a participar representantes dos seguintes órgãos:

  • Banco Central do Brasil (BACEN);
  • Comissão de Valores Mobiliários (CVM);
  • Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB);
  • Superintendência de Seguros Privados (SUSEP);
  • Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN);
  • Confederação Nacional da Indústria (CNI); e
  • Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC).

Outras entidades ou especialistas poderão ser convidados. Poderão ser formadas Comissões e Grupos de Trabalho para temas específicos.

Produtos do CPC:

  • Pronunciamentos Técnicos;
  • Interpretações;
  • Orientações; e
  • Comunicados.

Os Pronunciamentos Técnicos serão obrigatoriamente submetidos a audiências públicas. As Orientações e Interpretações poderão, também, sofrer esse processo.

Estrutura

Assembléia dos Presidentes das Entidades

  • elegem os membros do CPC;
  • podem, por 3/4 de seus membros, indicar outros membros do CPC;
  • podem alterar o Regimento Interno do CPC.

Quatro Coordenadorias:

  • de Operações;
  • de Relações Institucionais;
  • de Relações Internacionais;
  • Técnica.

Quais os principais pontos do CPC 26?

No artigo de hoje serão abordados cinco principais pontos: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado Abrangente, Notas Explicativas, Relatórios da Administração e Obrigatoriedade da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) no CPC 26.

Qual o objetivo do Pronunciamento Técnico CPC 26 r1?

1. O objetivo deste Pronunciamento Técnico é definir a base para a apresentação das demonstrações contábeis, para assegurar a comparabilidade tanto com as demonstrações contábeis de períodos anteriores da mesma entidade quanto com as demonstrações contábeis de outras entidades.

Qual é a ordem das notas explicativas abordadas pelo CPC 26?

O CPC 26 aborda que as notas explicativas normalmente seguem uma ordem visando auxiliar os usuários na compreensão das demonstrações contábeis. Disserte sobre a ordem das notas explicativas abordadas pelo CPC 26. Resposta Esperada: I) Declaração de conformidade com o CPC. II) Resumo das políticas contábeis aplicadas.

Qual o conjunto completo de demonstrações contábeis conforme o CPC 26 e?

Demonstrações de propósito geral, segundo o CPC 26, são aquelas cujo propósito reside no atendimento das necessidades informacionais de usuários externos que não se encontram em condições de requerer relatórios especificamente planejados para atender às suas necessidades peculiares.

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